Messias
Carlos Silva
Profecias milenares relatavam
Seu nascimento prematuro
Em uma época que não era necessário.
O poderio de Roma não seria eterno
Era instável
E não duraria muito tempo.
Por que Cristo morreu crucificado?
Por nós?
Não sejamos ridículos em pensar
Que um tem que morrer
Para que outros sejam salvos.
É tempo de reflexão
O momento de transformar em vírgulas
Os pontos de interrogação
O esclarecimento dos por quês
Dos limites carnais
Nas sábias palavras de um homem
De sete meses de formação uterina
Com o conhecimento de milhões
De reencarnações divinas.
Ficaremos estupefatos em saber
Que deuses tem limites
E podem ser de carne e osso
E sangrar ou quebrar
Como imagens de gesso
Blasfemando contra o conteúdo sagrado
Na sua irônica manifestação artística.
A religiosidade sempre foi circundada
Por hereges, ateus, devotos, fanáticos
Estúpidos lunáticos
De uma terra improdutiva
Que germina aqui ou ali
Esperanças minúsculas
Florescendo de ano em ano
Até que murchem e sequem
De uma vez por todas.
Os homens em questão
São todos pagãos
Boas ações não dão crédito no céu
E a maioria das pessoas
Negociam a alma com o diabo
Para pagar depois
Quando ele vier cobrar