Eu, Deus
Carlos Silva

Destino:

Estrela sem nome
batizarei sua beleza
em cântaros divinos
e em contato
com seus contornos
derramarei o líquido
branco cremoso
em seu âmago inflamado
vermelho, incandescente
quente
e nesse instante
dar-te-ei um nome
e um presente.

Nome:

Terra nova
elogio a loucura
de um Deus adolescente
criativo e criador
indulgente por amor
ser de energia pura
filho da gênese cósmica
primogênito do universo
irmão gêmeo do inverso
o primeiro soberano
de um paraíso celestial
o segundo tirano
no seu domínio abissal.

Sonho:

Bilhões de anos
um passado de sonhos
de alegria e esperança
a concretização de planos
colorindo uma esfera
batizando-a de Terra
mentor de vidas
em uma utopia perene
exuberante de maravilhas
por milhões de milhas
uma harmonia sagrada
uma temporária fachada.

Pesadelo:

No zênite da criação
o êxtase dos entes imaginários
a crônica de fatos extraordinários
narrados por homens tementes
a Deus e aos seus descendentes
espelhos superficiais
das virtudes em Deus existentes
Guerras mundiais
entre homens de armaduras reluzentes
destruindo a natureza
indiferentes a beleza
transformando seu habitat
o planeta Terra
uma esfera
seu conteúdo.

AMOR:

Meu presente
um adorno peculiar
em torno de sua simetria
regular e sem estrias
um cinturão de meteoros
de um região inóspita
deste sistema solar
que acabei de criar
banhados em ouro
mineral precioso
da antiga Terra
para mostrar aos deuses casuais
o quanto te acho linda
ao multiplicar sua beleza
sem a eventual incerteza
do comportamento infantil
de clones artificiais.