No início
Inocência
No Princípio
Pureza
Mas os corpos estão contaminados
Com almas envelhecidas
Que reencarnam traumas
De existências problemáticas.
Sementes do passado
Que crescem daninhas
No vago presente de Deus:
Um Filho
À uma mãe qualquer.
Perturbação ecológica
A cada minuto mais uma criança
A cada hora sessenta novas esperanças
A cada dia mais fome
A cada ano...
Feliz Ano Novo
Morte.
Na infância
Sensações Contraditórias
Atração e repugnância
No crescimento incontrolável
De vampiros infantis
Que dormem plácidos
Em seus ataúdes
Em forma de berço
Até acordarem com fome
No escuro da noite
Para sugarem dos pais
A paciência
E suas vidas
Esvaídas em conta-gotas. Na adolescência
a essência da decadência
Transformando o vampiro
Dando-lhe novas formas
Indo contra as normas
Esse monstro ao qual me refiro
Julgando-se sábio e eterno
Mostra de perto o inferno
Transmutando-se em si mesmo
E de forma inconseqüente
Quer ser o centro das atenções
E para isso finge e mente
Não importando as conseqüências
De suas torpes ações
É a própria evolução
Alimentando-se de grão em grão
Esperando a engorda para o abate.

Simbiose Mortal
Carlos Silva