Gelo que queima
Num verão, no inferno
Um inferno plácido
Onde rostos pálidos
Refletem a claridade do fogo
Que ilumina, que aquece, que fere
Que ressuscita uma prece
A Jesus, rei dos judeus.
A vida se extingue

Num inverno, no coração
Um coração desolado
Que quer sobreviver
Um órgão isolado
Reminiscência do passado
Batizado com sangue
De emoções mortas. Pássaros em coro

Numa primavera, no aviário
Aprisionados
Cortaram suas asas
Cantam não por prazer
Esperam que seu canto agrade
Um ser humanitário
Que lhes comprem a liberdade. Folhas secas

Num outono, na floresta
Floresta destruída
Por fogo e pesticidas
Serras elétricas
De proporções desmedidas
Só resta limpar a bunda
Com papel higiênico reciclável.

Estações
Carlos Silva