Na fome
Antropofagia é uma hipótese
E a escolha é sua
Minha opinião não importa
Não serei seu cúmplice
Em tal situação. Se sua vida é importante
Não lamente depois o instante
Dessa terrível decisão
O crime é seu
E quem lhe irá julgar
Não serei eu
E sim, Deus. Desfrute o fruto
De seu ventre
Ó mulher !
Por que o medo ?
Por que o nojo ?
Será pecado ?
Em certas espécies animais
É uma situação natural
Mas se lhe falta coragem
E a gravidez for normal
E ele nascer vivo
Chorando com razão
Qual será seu alimento ?
Leite materno ?
Eu lamento. Sofrimento fugaz
Sofrimento eterno
Decisão de momento
Afinal no final
Sua sobrevivência é uma questão matemática
E há dois resultados: Vida ou Morte
No seu caso há condições de existência
Subtrai-a uma vida de seu útero
Somando-a posteriormente
Ao sistema digestivo
E a solução é igual a um ser vivo. E onde há vida, há esperança
E o desejo de ser amada é uma constante
Impelindo-a a outra gravidez. Mas você não é a única
Como você são milhões
E a superpopulação não é sua culpa
Na época de seu nascimento
Bilhões existiam
E a fome é só uma
Das milhões de conseqüências.
Razão Animal
Carlos Silva