Psycho Killer
Carlos Silva
O azul celeste de seus olhos
Encobertos por nuvens de rímel
Na face nublada de lágrimas.
Não há beleza na tristeza
Há dúvidas e incertezas
E devemos estigmatizar este momento
Com dor e lamento?
Podemos coexistir em harmonia
Céu e terra
O céu em sua face
E a terra em minhas mãos
Uma órbita negra
A terra azul
Vermelha é sua configuração
Tal o sangue de que me alimento
Seu paladar irá aprovar o condimento?
Uma pergunta merece resposta
E não completo silêncio
Porque calar e não argumentar?
Ou declarar solenemente:
Sou vegetariana.
E por falar em vegetais
Lembrou-me do verde voraz
Que da terra se sustenta
E do céu se deleita
Em minha mente cresce o verde
Do sonho azul acordei
O pesadelo vermelho lavei.
Na natureza de minha loucura
Confundo beleza e feiúra
Nas fábulas infantis
Modifico os fins
Não há finais felizes
Não há donzelas ou príncipes
Só bruxas e feiticeiros
Assumo total responsabilidade
Pelos roteiros que assino
E as crianças que lerem que morram
Com um sorriso nos lábios
O assassino também sorri
Como uma criança.
Uma criança e seus desejos
Desejos libidinosos
Praticando sexo com animais
Vivos ou mortos
Atitude pueril
Para uma mente infantil
Sem nenhuma formação moral
Vítima do descaso social.
A adolescência foi o estopim
Uma reação em cadeia
Que parecia não ter fim
O desaparecimento de sua sanidade
E de garotas na puberdade
Em ritmo frenético
Ao som de Heavy Metal.
Ele não compreendia
Porque não era amado
Todas as mulheres lhe eram frias
E não correspondiam ao seu amor
No seu santuário secreto.
Podemos coexistir em harmonia
Somos uma família
E aumentamos em número
Em um ou outro dia
E céu é mais um elo na corrente
E carrega minha semente
Como algumas mães o fizeram
E as filhas delas o farão
Não sou eu pai, marido e irmão?
E não são todas vocês
Complementos de uma união?